O Levante de 11 de Maio de 1938*

 Em posição de tiro, durante o Levante de 11/05/1938.
Imagem: Revista de História da Biblioteca Nacional
O Levante de 11 de Maio de 1938, que injustamente passou à História como “Intentona Integralista” ou “’Putsch’ Integralista”, foi a única reação armada contra a ditadura imposta ao País por Getúlio Dornelles Vargas a 10 de novembro de 1937, até a deposição deste pelos militares, em outubro de 1945, e resultou, na verdade, de uma ampla conspiração interpartidária contra o regime de exceção estadonovista. Tal conspiração, tendo como líder o General Castro Júnior, reuniu diversas lideranças civis e militares, tanto liberais quanto integralistas, bem como alguns militares que, embora não fossem liberais ou integralistas, também estavam descontentes com os rumos que vinha tomando a ditadura varguista.

Antecedentes históricos

Em 1930, quando triunfou a chamada “Revolução de Outubro”, com a deposição do Presidente Washington Luís pela Junta Militar formada por seus próprios generais, que entregaram o poder a Getúlio Vargas, líder máximo dos revolucionários, este, revogando a Constituição de 1891, deu início a um governo discricionário.
A 11 de novembro de 1930, Getúlio Vargas, na qualidade de Chefe do Governo Provisório, decretou a dissolução do Congresso Nacional, das assembléias estaduais e das câmaras municipais. No dia seguinte, os coronéis João Alberto e Mendonça Lima e o General Miguel Costa criaram a Legião Revolucionária de São Paulo. Nesta época surgiam, em todo o País, outras associações igualmente preocupadas em dar um novo rumo ao Brasil, realizando as reformas de que ele tanto carecia. Dentre estas associações, também chamadas de “Legiões de Outubro”, podemos citar o Clube 3 de Outubro, a Legião 5 de Julho e a Legião Liberal Mineira, mais conhecida como Legião Mineira, que, organizada por Francisco Campos, Gustavo Capanema e Amaro Lanari, desfilou defronte ao Palácio da Liberdade, onde o Interventor de Minas Gerais, Olegário Maciel, se apresentou, de uma sacada, usando a camisa parda dos legionários por baixo do paletó.
A 03 de março de 1931 foi divulgado, pelo periódico “O Jornal”, do Rio de Janeiro, o Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo, escrito por Plínio Salgado e publicado também em “O Estado de São Paulo” em suas edições dos dias 05 e 06 de março daquele ano.
O Manifesto de Plínio Salgado, pretendendo traçar à Nação Brasileira uma diretriz clara e definida em face dos problemas fundamentais de nossa Pátria e podendo, em virtude de seu conteúdo, ser considerado já um Manifesto Integralista, foi elogiado por Oliveira Vianna, Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), Octavio de Faria e Azevedo Amaral, dentre outros intelectuais de igual ou menor estatura.
Ainda em 1931, surge, em São Paulo, o jornal “A Razão”, que, tendo Alfredo Egydio de Souza Aranha como proprietário e Plínio Salgado como presidente, em pouco tempo se tornou, graças, sobretudo, a este, “o mais perfeito e elevado de quantos hajam sido fundados no Brasil”, na expressão de Virgínio Santa Rosa [1].
Foi em “A Razão” - matutino que teve entre seus colaboradores intelectuais da estirpe de San Tiago Dantas, Paulo Setúbal, João Carlos Fairbanks, Mário Graciotti, Nuto e Leopoldo Sant’Anna, Silveira Peixoto e Alpínolo Lopes Casali – que Plínio Salgado – por meio do artigo de abertura diário, intitulado “Nota Política”, transcrito no jornal “Era Nova”, da Bahia, e em jornais do Ceará e lido com entusiasmo de Norte a Sul do Brasil e mesmo no exterior – revelou o brilhante sociólogo que vivia embuçado no igualmente brilhante romancista, sendo saudado por Tristão de Athayde como a principal revelação do ano [2].
A 24 de fevereiro de 1932, quando milhares de pessoas participavam, na Praça da Sé, no Centro de São Paulo, do comício promovido pela Liga Paulista Pró-Constituinte para celebrar o quadragésimo aniversário da Constituição de 1891, um grupo de intelectuais se reunia, sob a liderança de Plínio Salgado, para organizar a Sociedade de Estudos Políticos (SEP), cuja assembléia de fundação seria realizada a 12 de março daquele ano, no Salão de Armas do Clube Português, à Avenida São João.
A SEP foi uma organização que reuniu dezenas de homens de pensamento e de ação e que a partir do estudo de nossa realidade e de nossos problemas, bem como dos ensinamentos de pensadores nacionais e estrangeiros, estabeleceu um novo caminho para o Brasil, caminho que, caso seguido, salvá-lo-ia da balbúrdia que nele imperava desde o crepúsculo do Império, o reconduzindo à sua vocação histórica, às bases morais de sua formação, e o transformando numa Nação verdadeiramente grande, unida, próspera, feliz e soberana.
A 23 de maio daquele conturbado ano de 1932, o jornal “A Razão”, injustamente acusado de ser contrário à reconstitucionalização do País, foi empastelado e incendiado durante os distúrbios que culminaram no ataque da sede da Legião Revolucionária e na morte dos estudantes Mário MARTINS de Almeida, Euclides Bueno MIRAGAIA, DRÁUSIO Marcondes de Sousa e Antônio Américo de CAMARGO, cujas iniciais dos nomes pelos quais eram mais conhecidos deram origem à sigla MMDC, que se tornou o nome do mais importante movimento em prol da reconstitucionalização do Brasil.
Foi durante aquele mês de maio que Plínio Salgado redigiu o Manifesto que entraria para a História como “Manifesto de Outubro”, mês de sua divulgação, que não se deu antes por conta da Revolução Constitucionalista de 09 de julho de 1932, já iminente, como sabia Cândido Mota Filho, que a respeito disto alertou Plínio em junho daquele ano, quando fora aprovado pela SEP o ante-projeto do Manifesto Integralista do consagrado autor de “O estrangeiro” e “O esperado”.
O Manifesto de Outubro, cuja mensagem se espalhou pelo País, de Norte a Sul, feito um rastilho de pólvora, se inspira, antes e acima de tudo, nos ensinamentos perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja, nas lições de pensadores e escritores brasileiros como Alberto Torres, Farias Brito, Jackson de Figueiredo, Euclides da Cunha, Oliveira Vianna, Pandiá Calógeras, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco, Tavares Bastos, Rui Barbosa, Eduardo Prado, Conde de Afonso Celso, Domingos Jaguaribe, José de Alencar e Graça Aranha, nos poemas patrióticos e nas campanhas cívicas de Olavo Bilac e nas poesias de Gonçalves Dias, Castro Alves e outros poetas nacionalistas.
Sustentando a concepção integral do Universo e do Homem, a Revolução Interior, os valores fundamentais da Nacionalidade, a Democracia Integral, ou Democracia Orgânica, o Municipalismo, a revalorização da Autoridade, pressuposto à existência da autêntica Liberdade, a Harmonia Social e a Harmonia Étnica e o Estado Ético-Integral, ao mesmo tempo antitotalitário e antiindividualista e caracterizado, sobretudo, pelo respeito à intangibilidade do Ente Humano, de seu Livre-arbítrio e dos Grupos Naturais dele procedentes, o Manifesto de Outubro já trata, ainda que de maneira sucinta, de todos os princípios básicos da Doutrina Integralista, depois aprofundados em inúmeros livros, manifestos, artigos e discursos de Plínio Salgado e de outros doutrinadores integralistas.
Entre outubro de 1932 e novembro de 1937, o Integralismo teve um crescimento espantoso, conquistando centenas de milhares de adeptos e outras tantas de simpatizantes nas mais variadas religiões, etnias e classes sociais, tornando-se a Ação Integralista (AIB) o primeiro “partido de massas” do País e o primeiro partido de âmbito nacional desde a implantação da República e reunindo a extraordinária plêiade de intelectuais a que Gerardo Mello Mourão chamou o “mais fascinante grupo da inteligência do País” [3].
Os atentados perpetrados pelos comunistas, sicários do imperialismo russo-soviético de Stálin ou da IV Internacional de Trótski, bem como as perseguições empreendidas por governadores como Juracy Magalhães, da Bahia, e Lima Cavalcanti, de Pernambuco, em vez de conter o avanço do Integralismo, ajudaram este Movimento a crescer, de forma análoga ao que ocorrera com o Cristianismo sob as perseguições sofridas em Roma, sobretudo ao reinado de Nero.
Em maio de 1937, os integralistas decidiram, por meio de um plebiscito, qual seria o seu candidato às eleições presidenciais que ocorreriam em janeiro do ano seguinte. Plínio Salgado, que obteve 846.354 votos, foi o escolhido.
As eleições presidenciais, a que concorreriam, ainda, Armando de Sales Oliveira e José Américo de Almeida, não foram, porém, realizadas, uma vez que Getúlio Vargas, se aproveitando da divulgação do “Plano Cohen” – farsa criada por Góis Monteiro, que se apoderou de um documento escrito por Olympio Mourão Filho, simulando como seria uma revolução comunista, e o divulgou como se verdadeiro fosse - instaurou, a 10 de novembro de 1937, o Estado Novo.
A 03 de dezembro de 1937, Getúlio Vargas - que, ao criar o Estado Novo, fechara o Congresso e revogara a Constituição de 1934, outorgando nova Carta, de autoria de Francisco Campos e de caráter acentuadamente autoritário -, decretou a dissolução de todos os partidos políticos, inclusive a AIB, que, segundo Plínio, obteve a permissão do ditador para continuar funcionando como entidade cultural e educacional. Enquanto, porém, Alcibíades Delamare, advogado e correligionário de Plínio Salgado, promovia o registro da nova entidade e levava os papéis a Francisco Campos, então Ministro da Justiça, que protelou o despacho o quanto pode, deixando, por fim, de dá-lo, os interventores dos Estados e o Chefe de Polícia do então Distrito Federal (Rio de Janeiro), Filinto Müller, desencadeavam terrível perseguição contra os integralistas, prendendo líderes e depredando sedes [4].
Foi por esse tempo que Plínio Salgado entrou em contato com Otávio Mangabeira, liberal, ex-Chanceler no Governo de Washington Luís, e em torno de quem se reuniam diversos opositores da ditadura estadonovista. Armando de Sales Oliveira se encontrava preso, não podendo tomar parte nas conspirações, mas seus numerosos amigos e aliados guardavam cuidadosamente o que restara das armas que seriam usadas por Flores da Cunha, Governador do Rio Grande do Sul até outubro de 1937 e opositor de Vargas, em sua luta em prol do federalismo, caso este, derrotado, não houvesse sido obrigado a fugir para o Uruguai a 18 de outubro daquele ano [5].
Em conseqüência dos encontros com Otávio Mangabeira, Plínio Salgado tomou contato com o General Castro Júnior e, depois, com os generais Guedes da Fontoura e Basílio Taborda. Entrementes, outros integralistas se articulavam com o General Flores da Cunha, em seu exílio no Uruguai, e com o grupo do Sr. Júlio de Mesquita Filho, na Capital Paulista. De tais conversações resultou, como observa Plínio Salgado, a mobilização de significativas correntes militares e políticas, tendo como objetivo comum a restauração da Constituição de 1934 e, por conseguinte, do regime democrático.
Certo dia, Plínio Salgado foi informado, por Jaime Regalo Pereira, de que se preparava, no Rio, à sua revelia, um ataque ao Palácio Guanabara.
Redigiu, então, o autor de “Psicologia da Revolução” um Manifesto aos integralistas, condenando toda e qualquer espécie de atentados, golpes violentos e assassinatos, que eram totalmente contrários à Doutrina Integralista, recomendando aos camisas-verdes que esperassem “o grande movimento nacional, não de caráter integralista, mas de todo o povo brasileiro, no sentido de volta à Constituição de 34 e das liberdades que tanto almejávamos”. Foi portador de tal Manifesto Lafayette Soares de Paula e, mais tarde, Plínio Salgado recebeu a notícia de que todos os seus exemplares haviam sido queimados no Rio[6].
Chegaram, então, os últimos dias de abril. Plínio Salgado dera autorização, por escrito, a Raymundo Barbosa Lima e Belmiro Valverde, para que mantivessem a articulação dos integralistas na então Capital Federal, não tomando qualquer iniciativa sem que chegassem ordens superiores.
E, informado de que Belmiro Valverde, que se aliara a Severo Fournier, liberal e notório antiintegralista, para desferir, com pequeno grupo, um ataque ao Palácio Guanabara, Plínio enviou ao Rio o Dr. Loureiro Júnior, seu genro e correligionário, portando uma carta em que visava dissuadir Valverde de seu insensato plano.
A profética carta escrita pelo autor de “A Quarta Humanidade” – e que foi queimada na presença do portador, de acordo com a ordem de Plínio, uma vez que nela eram citados diversos nomes - dizia, em síntese, que Valverde, Barbosa Lima e os demais não deveriam tomar nenhuma iniciativa de golpes armados, posto que o Movimento, cujos propósitos eram civis e interpartidários, deveria partir de uma ação exclusivamente militar e tinha como chefe o General Castro Júnior, única autoridade no assunto; que eles deveriam se lembrar de que uma tropa que ficasse em seu quartel e sem iniciativa de ação seria uma tropa que seguramente iria contra todo e qualquer movimento, uma vez que se enquadraria na disciplina hierárquica dos comandos; que, caso tomassem eles “qualquer iniciativa de ataque, desrespeitando a unidade do movimento nacional”, não contariam com qualquer apoio militar, sendo que seu fracasso, longe de atingir os objetivos por eles desejados, serviria apenas para tornar mais forte a ditadura; que não contassem com ilusórias promessas e nem com as fantasias de determinados militares; e, por derradeiro, que os integralistas tinham compromissos de honra que não podiam romper sem indignidade para eles [7].
Ainda segundo as instruções de Plínio, Loureiro Júnior promoveu, no Rio, uma reunião de altas personalidades do Movimento que se preparava para restaurar a Constituição de 1934, ficando nesta reunião claramente estabelecido que apenas o General Castro Júnior poderia transmitir as ordens para o início da Revolução. E, como não confiava nem um pouco em Belmiro Valverde, Plínio pediu que lhe prestassem assistência, acalmando seus eventuais ímpetos, San Tiago Dantas, Henrique Brito Pereira e os então capitães Albuquerque e Bittencourt.
Ao meio dia de 10 de maio de 1938, Plínio Salgado foi procurado em sua residência, na Capital Bandeirante, pelo Dr. Jaime Regalo Pereira, que o informou de que recebera por um aparelho de rádio amador um recado de Valverde que sem dúvida alguma significava que o Levante principiaria à meia noite do dia seguinte, 11 de Maio.
Às 20 horas daquele dia 10 de maio, chegou o Dr. Brito Pereira à casa de Plínio Salgado, exclamando que tudo estava perdido, pois Belmiro ia, logo mais, dar início à “burrada” [7].

O Levante de 11 de Maio

O Levante principiou, então, naquela madrugada de 11 de Maio, data escolhida pelos revolucionários para atacar o Palácio Guanabara e prender Vargas – e não matar a ele ou a sua família – porque naquele dia o Tenente Júlio Barbosa do Nascimento, integralista, chefiava a guarda, composta de fuzileiros navais.
Infelizmente o tempo e o espaço me são exíguos, de modo que, por hora, não tratarei propriamente do ataque ao Palácio Guanabara, em que vários jovens integralistas deram o seu sangue e suas vidas pela restauração da Liberdade e da Democracia, da mesma forma que, pelos mesmos motivos, não cuidei do Levante de 11 de Março daquele ano de 1938, quando foi ocupada a Escola Naval, na Ilha das Enxadas, por um grupo de oficiais integralistas da Marinha, dentre os quais se destacou, sobretudo, o heróico Tenente e depois Almirante Jatyr de Carvalho Serejo.
Por falar em Marinha, quase todos os membros deste glorioso ramo de nossas Forças Armadas foram integralistas na década de 1930. Foi o Almirante Serejo quem, com efeito, declarou que 70% dos homens de nossa Marinha de Guerra eram integralistas, “e outros 10% eram ardorosos simpatizantes” da Doutrina do Sigma [8].
Antes de encerrar o presente trabalho, julgo oportuno frisar que participou do assalto ao Palácio Guanabara o “Almirante Negro” João Cândido, líder da Revolta da Chibata, a que se deve o fim dos castigos físicos em nossa Marinha de Guerra, e que na década de 1930 aderiu ao Integralismo, Movimento de cuja Doutrina jamais se afastou, tornando-se amigo de Plínio Salgado, com quem se encontrou diversas até a década de 1960, conforme afirmado por Genésio Pereira Filho e confirmado por Gerardo Mello Mourão [9].
Seja este, pois, meu singelo artigo a respeito do alçamento que – embora precipitado, custando a vida a vários camisas-verdes, que, no Panteão dos Mártires do Integralismo, se uniram a Nicola Rosica, a Jayme Guimarães, a Caetano Spinelli e a todos os outros que tombaram em defesa de Deus, da Pátria e da Família sonhando um Brasil maior, melhor e mais justo – teve o mérito de haver sido a única reação armada contra a ditadura estadonovista de Getúlio Vargas até sua deposição, em 1945.

*Victor Emanuel Vilela Barbuy
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira, FIB
Publicado originalmente em Maio de 2010.


Homenagens ocorrerão no Rio de Janeiro:

O grupo "Legião Onze de Maio" organizou um circuito de homenagens aos mártires integralistas do Heróico Levante de 11de Maio de 1938. A data é importante para lembrar os bravos sobreviventes e mártires integralistas, tombados no Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro, em decorrência da indignação pela traição do então ditador, Getúlio Vargas, e da revolta de demais brasileiros de outros segmentos políticos, frente ao início por golpe, do regime getulista.

Dia 12 de Maio de 2012, Sábado:

Às 10h – Concentração no Portão principal do Cemitério de São Francisco Xavier (Cajú).
ÀS 10h15min. – Início da Romaria ao Mausoléu dos Mártires Integralistas.
Às 10h30min. – Junto ao Mausoléu, a chamada do Ritual Integralista.

Fonte: Nova Offensiva

Camisas Verdes presentes na Caminhada Pela Paz!

Integralistas acompanham Caminhada pela Paz.
O Integralismo é uma frente ampla espiritualista, reunindo pessoas de todos os credos irmanadas na luta contra o materialismo grosseiro e avassalador, tanto em sua face liberal quanto em sua face comunista.

Pensando nisso, hoje, dia 01 de maio, às 15h, Soldados de Deus e da Pátria da FIB-CE foram prestigiar a Caminhada Pela Paz, evento organizado pela Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o qual percorreu vários logradouros do Conjunto Esperança, em Fortaleza.

Carregando vistosa faixa integralista com os dizeres "ANAUÊ! DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA", bem como o glorioso Pavilhão Nacional, os Integralistas cearenses mais uma vez mostraram presença em mais um importante acontecimento no calendário paroquiano, cujo lema principal era a paz mas que enfocava o combate à violência, às drogas e ao descaso público quanto à saúde de um governo municipal socialista falho, comemorando assim o 1° de maio e semeando a Doutrina do Sigma através de panfletagem por onde passavam.

Na ocasião foi dada oportunidade para o Camisa Verde Adriano Veras explanar sobre o Integralismo e a presença dos nobres Companheiros naquele evento.

Somos os verdadeiros Revolucionários*


Algo devemos afirmar confiantes: somos revolucionários. Poder-se-ia dizer revolucionários em vários sentidos, mas em um com maior força: somos contrários aos valores e o modo de proceder imprimidos pelo espírito burguês; é este espírito inimigo da tradição, inimigo de tudo que é superior em matéria de espírito. Quando um autodeclarado comunista imputa-nos o qualitativo de reacionários devemos gracejar, lançar-lhes a galhofa: “eis vós, amigos da antitradição, beneficiários das filosofias e do modo de proceder pós-revolução francesa; ressentidos, invejosos da burguesia, não são vós os materialistas par excellence? São vós que legitimais o status quo... vossa filosofia só é possível pelo contato com os valores burgueses; nós, ao contrário, nada temos a ver com isso.”

Devemos assim dizer, pois somos os verdadeiros revolucionários. O fato é que o modo de pensar, as atitudes adotadas pela esquerda – se devemos nos remeter ao conceito original -, são possibilitadas pelo modo de pensar burguês. E o fato é também que a esquerda pouco questiona esse modo de pensar, na verdade, o legitima. Ora, remetendo ao conceito original de esquerda e direita, i.e., a distinção entre jacobinos e girondinos, a própria burguesia, juntamente com a esquerda comunista devem ser consideradas segundo esse princípio, de esquerda; a última, sobremodo, por não fazer um corte radical para com os valores burgueses. Na verdade, sua revolução só se torna possível com estes valores, pois eles são necessários como condição para a “revolução”. Vejamos vários exemplos; não precisamos ir longe. Basta pensar no combate da esquerda a tudo aquilo que significa uma tradição, tal como o estudo do latim clássico, do grego clássico e das filosofias platônica e aristotélica, da patrística e escolástica, não é o mesmo combate travado pela burguesia? Uma vez que o estudo dessas línguas e o período filosófico remetem a uma época onde efetivamente a burguesia, entendida não como classe, mas sim como estado de espírito, ainda não dominava? Vejamos a ênfase que se dá ao inglês, língua tratada como universal, é a língua do mercado e da globalização; o mercado e o modo de pensar norte-americano são imprimidos aos mais distintos povos por meio desta língua. A academia, o comércio, a informática; possuem a maioria de seus termos em inglês.

Com efeito, não somente no que diz respeito à língua podemos ver esta característica. As práticas políticas contemporâneas e o consequente modo de fazê-la são beneficiados pelo Estado Moderno. No Brasil, sobremodo, há o fenômeno da esquerda reacionária. Isto significa que a nível de declaração de ideias, por assim dizer, temos uma “esquerda”, mas a nível de privilégios trata-se de uma classe que defende, para si, todos os tipos de regalias. Assim, do alto de seus postos de juízes, professores universitários, promotores de justiça e jornalistas opinam sobre o bem e o mal da sociedade brasileira; mas são eles reativos a qualquer mudança que possa significar um bem à população e uma relativa perda de seus próprios privilégios. Quando, nas eleições de 2010, houve a possibilidade do PSDB - que não se diferencia substancialmente do PT - subir ao poder, os reacionários da esquerda, temendo perder regalias, de forma desesperada, assinaram abaixo-assinados: era a reação! “Que continue o PT! O PSDB pode anular nossos privilégios”! E para quê sempre lutaram eles senão por privilégios?

O modus operandi contemporâneo de lutar pelo comunismo só se dá, num estado democrático, tendo em vista determinados direitos. A pressão que a “Sociedade Civil”, por meio dos movimentos sociais, exerce nas esferas estatais reivindicando “direitos” - o aborto é um desses “direitos” reivindicados - apenas é possível por meio da democracia, ela mesma lhes pressupondo; e só é possível numa democracia burguesa, utilizando-nos de termo ao gosto dos marxistas. A luta partidária e todo o lodo que enseja nos bastidores da política pluripartidária não seria possível num outro tipo de democracia; seria possível, é verdade, outra forma de corrupção, mas, como já afirmado, o modus operandi de luta eurocomunista que foi adotado no Brasil após o chamado regime militar é possibilitado pelo pluripartidarismo. Nele, a exemplo do que ocorreu na Itália, não é incoerente o alinhamento de pretensos democratas cristãos ao partido comunista. A política brasileira, prestemos atenção, está cheia destes exemplos. Pululam incoerências aqui e ali; não é vergonhoso ao PT seu alinhamento a Sarney e a Collor, antigos adversários.

Este é o modo de fazer política daqueles que se consideram revolucionários; isto se dá porque não o são de verdade; nós o somos... somos verdadeiros revolucionários. A nossa maneira de pensar a política diverge em todas as maneiras da atual, que é desprovida de qualquer maneira ética de fazê-la, os fins justificando os meios. A ética, ademais, como disciplina normativa e esfera “alargada” da moral, é aquilo que possibilita o bem-viver dos homens. Mas isto é algo perdido e esquecido pelo modo político moderno e contemporâneo, algo que nós, preocupados com o bem estar do homem, pensamos ser essencial.


Quando as feministas exigem o direito de “decidir sobre o próprio corpo” – o que podemos traduzir sacrifício da criança-, isto significa o retorno a algo que ocorria em um período pré-cristão, já que, em Roma, por exemplo, o feto era considerado parte do corpo da mulher.

Com efeito, as diversas leis que querem dar a terceiros o direito de decidir sobre a vida e a morte das crianças representam um atraso considerável; é fazer-nos retornar a um período bárbaro, pré-cristão. Ainda há a destruição da cultura por meio da negação daquilo de melhor que há, bem como a justificação de um modo de fazer política viciado, que é a maneira encontrada pela esquerda para reagir e fazer uma contrarrevolução.

*Rafael Sandoval - Presidente da FIB no Distrito Federal 

Fonte: www.integralismo.org.br

Letreiro e busto de Plínio Salgado são retirados da Biblioteca Municipal de São Bento de Sapucaí - SP*

São Bento de Sapucaí, cidade natal de Plínio Salgado

No dia 14 de fevereiro de 2011, o vereador Hermes Rodrigues Nery – PHS, através do requerimento n.º 07/2011, solicitou ao Prefeito Municipal Ildefonso Mendes Neto - PSDB informações referentes à retirada do letreiro afixado no prédio da Biblioteca Municipal, bem como o destino dado ao busto de Plínio Salgado, que se encontrava no local e possuía a função de homenagear um dos principais personagens da história desta pequena cidade paulista, local no qual iniciou sua carreira como jornalista no semanário Correio de São Bento, em 1916, alcançando projeção de destaque na política regional e participando, posteriormente, da fundação do Partido Municipalista, de vida efêmera, que aglutinava as principais lideranças políticas do Vale do Paraíba.


Em 11 de maio de 1993, o Prefeito Antônio Ademir Venâncio - PPS, autorizado pelo Poder Executivo, reconheceu a importância de Plínio Salgado na história do Município, sancionando e promulgando a lei n.° 749/93, instituindo a “Semana Cultural Plínio Salgado”, ocorrendo duas edições do evento, em 1993 e 1995, esta última, ano do seu centenário de nascimento, que contou com a presença dos palestrantes Prof. Dr. Adolfo Vasconcelos Noronha - Faculdades Integradas de Guarulhos e Prof. Ronaldo Poletti - Universidade Federal de Brasília, ambas as palestras realizadas no Espaço Cultural Plínio Salgado - ECPS.


Neste evento não se buscou traçar um perfil político do homenageado, tendo sua principal atuação política ocorrida na agitada década de 1930, sendo um dos personagens mais marcantes deste período. Buscou-se lembrar do intelectual que teve sua imagem prejudicada por suas paixões ideológicas, sendo um dos escritores mais editados e lidos do seu tempo, porém duramente perseguido por seus opositores, mesmo que a maioria dos seus livros nada tem a ver com política / ideologia.


Infelizmente não se tem conhecimento sobre a resposta do requerimento realizado pelo vereador, muito menos o destino da peça e letreiro retirados, inadvertidamente, do local público. Esta atitude do atual Prefeito do Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB deixa claro seu total descompromisso com a história do Município, bem como sua irresponsabilidade em resguardar a história da região e, principalmente, de um dos seus personagens mais emblemáticos, reconhecido e homenageado na gestão anterior, que ainda nos tempos atuais continua sofrendo preconceitos ideológicos da esquerda e direita, conservadoras ou revolucionárias.


*Guilherme Jorge Figueira
Fonte: www.historia-do-prp.blogspot.com

Ítalo Galli, In memoriam*

Companheiro Ítalo Galli (1913-2012)

         Foi com profundo pesar que recebemos a notícia da partida do nobre companheiro Ítalo Galli para a já tão grande “Milícia do Além”, embora saibamos que este exemplar católico estará muito melhor no Outro Mundo do que na Terra. Entregou ele a alma a Deus, na esperança de gozar da eterna beatitude, na última segunda-feira, dia 13 de fevereiro, aos noventa e oito anos de idade, nesta Capital Bandeirante de tão gloriosas tradições, em que viveu tantos anos de sua longa e profícua existência terrena aquele ilustre filho do interior da Província Paulista, deixando cinco filhos dos seis que teve com a esposa, Alayde Del Vecchio, fiel e dedicada companheira e infatigável colaboradora, já falecida, além de netos e bisnetos.

         Varão das mais excelsas virtudes morais e intelectuais, Juiz e, posteriormente, Desembargador dos mais cultos, sábios, lúcidos, justos e dignos que já passaram pela Magistratura Paulista, autor de ensaios em que sustenta, galhardamente, a Justiça, a Moral, os Bons-Costumes, o Direito e o Bem Comum, sempre orientado pela Teologia e pela Filosofia de Santo Tomás de Aquino e pelo pensamento tradicional, demonstrando sólido conhecimento das Sagradas Escrituras, da Doutrina da Igreja e das obras dos mais proeminentes vultos do tradicionalismo político, foi este magno defensor do Direito Natural Tradicional, ou Clássico, e da denominada Escola Clássica de Direito Penal um Magistrado que, como ressalta a revista Hora Presente, sempre espelhou em seus “arestos uma formação jurídica que deita fundas raízes na filosofia e humanismo cristãos, permitindo-lhe fazer da lei verdadeiro instrumento da justiça e não mera cibernetização juridicista” [1]. Este humanismo, é claro, nada tem que ver com o humanismo antropocêntrico e antitradicional, sendo, antes, um humanismo teocêntrico, cristão e tradicional da mesma cepa daquele que tão belamente floresceu na Europa desde o princípio da denominada Baixa Idade Média e que teve, em nosso Mundo Lusíada, o apogeu na obra de Dom Jerónimo Osório, último Bispo de Silves e primeiro Bispo do Faro, que deixou este Mundo no ano de 1580 e foi considerado por Francisco Elías de Tejada não apenas “o máximo pensador político dos povos hispânicos” [2], como, ainda, “o supremo pensador hispânico, português e castelhano, de todos os séculos” [3].

         Nascido no povoado de Marcondésia, no Município de Monte Azul Paulista, em 20 de agosto de 1913, Ítalo Galli se formou em Direito no Rio de Janeiro, cidade em que conheceu o Integralismo e em que, tendo notado que a Doutrina deste se conciliava plenamente com a Doutrina Católica, como reconheceriam inúmeros bispos, sacerdotes e pensadores leigos católicos dos mais eminentes, muitos dos quais adeririam àquele Movimento de renovação social e cultural inspirado nas lídimas raízes, ou tradições, da Terra de Santa Cruz, ingressou, ele também, nesta admirável escola de Moralidade, Civismo, Patriotismo e Nacionalismo, luminoso foco de irradiação, inexpugnável cidadela e vigilante atalaia do Brasil Profundo, Autêntico e Verdadeiro, se fazendo, assim, um soldado de Deus, da Pátria e da Família. Mais tarde, já formado e residindo no Município de Olímpia, no interior de São Paulo, se tornou Chefe Municipal da Ação Integralista Brasileira naquela localidade, cujo núcleo depois passou a abranger a Municipalidade vizinha de Nova Granada. 

         Profundamente influenciado por Plínio Salgado, o tão ilustre quanto injustiçado autor da Vida de Jesus, “grande monumento elevado à glória de Cristo” e “joia de uma literatura”, na abalizada opinião do Padre Leonel Franca [4], Ítalo Galli, que permaneceu integralista até o fim de sua caminhada sobre a Terra e cujo filho Ivo teve como padrinho de batismo ninguém menos que o próprio Chefe Nacional, sempre evocou os ensinamentos profundamente cristãos e brasileiros expressos nos brilhantes livros, artigos, manifestos e discursos plinianos, especialmente a frase que inicia o chamado Manifesto de Outubro, de 1932, que é “Deus dirige o destino dos povos”, e a peroração do discurso proferido a 12 de junho de 1937 na Sessão Soleníssima das Cortes do Sigma, realizada no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro. Nesta peroração, após afirmar, dentre outras coisas, que, em seu sentir, o Estado Integral é “O Estado que vem de Cristo, inspira-se em Cristo, age por Cristo e vai para Cristo”, Plínio faz a profissão pública de sua fé, afirmando sua crença em “Deus Eterno”, na “Alma Imortal” da Pessoa Humana e no “poder optativo, deliberativo” desta e em “sua capacidade de interferência nos fatos históricos”, bem como em “Cristo e na luz que d’Ele desce”, sublinhando que fora por Cristo que se levantara; por Cristo que queria “um grande Brasil”; por Cristo que ensinava “a doutrina da solidariedade humana e da harmonia social”; por Cristo que lutava; por Cristo que conclamava e conduzia os integralistas e por Cristo que batalharia [5].
             
         As palavras de Plínio Salgado, que, como salienta João Ameal, sempre escreveu, falou, apostolizou “sob a luz perene da obediência a Cristo” [6] e que é, no dizer de Hipólito Raposo, “o mais eloquente intérprete da Brasilidade” [7] e, na expressão de Francisco Elías de Tejada, o “profeta incandescente e sublime de seu povo”, a “encarnação viva do Brasil melhor” [8], levantou, como salienta este último, desde sua conversão espiritual e intelectual, em 1918, “duas colunas solidíssimas”, que não são senão “Cristo e o Brasil”, concebendo “o Integralismo como ação, como volta à Tradição brasileira”. E Cristo e o Brasil foram também os consistentíssimos pilares que ergueu, durante toda a vida, Ítalo Galli, que, como frisa Miguel Reale, foi, na Ação Integralista Brasileira, um daqueles “jovens brilhantes” e de “firme formação católico-social” que mais perto se encontravam do pensamento de Plínio Salgado, ao lado de outros como os então futuros ilustres juristas Alfredo Buzaid e Goffredo Telles Junior [9].

         Ítalo Galli ingressou na Magistratura, como Juiz Substituto, em 1941. No ano seguinte foi promovido a Juiz de Direito de 1ª Entrância, indo para Apiaí, e em 1946 recebeu a promoção para a 2ª Entrância, se tornando Juiz de São José do Rio Pardo. Em, 1954 foi promovido à 3ª Entrância, seguindo para a Capital Paulista e, no mesmo ano, promovido à 4ª Entrância, se transferiu para Campinas, cidade em que já hoje existe uma rua que leva o seu nome, dali se removendo, algum tempo mais tarde, para a 17ª Vara Criminal de São Paulo. Em 1965, se tornou Juiz de 2ª Instância, no Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo, cuja presidência assumiria em 1972, e, em 1976, tomou posse do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, de que seria Vice-Presidente e no qual se aposentaria em 1983, por haver atingido a idade limite. Magistrado exemplar, bastariam, para imortalizá-lo, as palavras de outro exemplar Magistrado, o Desembargador Ricardo Dip, em depoimento sobre o também exemplar Magistrado Antônio Carlos Alves Braga, outro insigne soldado de Deus, da Pátria e da Família, que chegou, dentre outros, aos cargos de Presidente do Tribunal Regional Eleitoral e de Corregedor-Geral da Justiça de São Paulo, quando Dip salienta que Ítalo Galli foi seu “primeiro e grande modelo na Magistratura” [10].

         O memorável discurso proferido por Ítalo Galli na ocasião em que tomou posse como Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo foi publicado na revista Hora Presente, sob o feliz título de Verdades que precisam ser ditas, e, posteriormente, em sua pequena grande obra Os Direitos da Moral, de 1992. Esta brilhante peça de oratória, em que os dotes de pensador vigoroso e profundo se conjugam com aqueles de varão de ilibadas virtudes morais e de engenhoso artífice da palavra; esta brilhante peça de oratória em que abundam edificantes citações de autores como o Apóstolo São Paulo, Santo Tomás de Aquino, Donoso Cortés, Vázquez de Mella, Ventura de Raulica, Louis Veuillot, Chesterton, Jean Ousset, João Ameal e José Pedro Galvão de Sousa, sem falar naquelas do Rui Barbosa da Oração aos moços, em diversos pontos plenamente de acordo com a Doutrina Católica; esta brilhante peça de oratória, em que se demonstra magistralmente a importância vital da fé e do respeito à Lei Eterna para o bem das nações, enfim, termina da seguinte forma:
... quando os fundamentos de nossa fé, sustentáculo da moral e do direito, se vêm abalados pelos próprios ministros consagrados para alimentá-la e mantê-la, chegou a hora de recorrermos à advertência do Apóstolo das Gentes aos Gálatas: “Se alguém vos anunciar um Evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema; e ainda que nós mesmos ou um Anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema” (Gálatas, I, 8, 9).
E oxalá esta Casa, de tão belas tradições, cuja grandeza e cujo justo renome foi alcançado pela elevação moral e intelectual de seus Juízes, o último dos quais tenho a honra de suceder, continue a proclamar e a fazer jus àquele ideal de envergadura proclamado por Rui:
“Todo o bom magistrado tem muito de heróico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez, que a nada se dobre e de nada se tema, senão da outra justiça, assente, cá em baixo, na consciência das nações, e culminante, lá em cima, no juízo divino” (Oração aos Moços).       
Somente assim, quando tivermos de prestar contas dos ‘talentos’ que Deus nos confiou, é que poderemos dizer como o Apóstolo São Paulo:
 “Senhor, combati o bom combate, consumei minha carreira, guardei minha fé”. Aplicai a Vossa justiça, mitigada pela Vossa imensa misericórdia [11].
         Sempre fiel aos seus nobilíssimos princípios e ideais, num tempo em que, como ele mesmo dizia, em Os Direitos da Moral, citando o poeta irlandês W. B. Yeats, “os melhores perderam toda a convicção”, e “os piores estão cheios de apaixonada certeza”, foi Galli um homem que não apenas proclamou, corajosamente, a necessidade de que “os melhores reencontrem toda sua tradicional convicção”, enquanto os piores percam sua “apaixonada certeza” [12], como foi uma honrosíssima exceção àquela que tem sido a regra entre os melhores, jamais perdendo sua convicção nos grandes princípios e ideais e jamais se fatigando de pelejar por eles.
         Não podemos concluir estas linhas sem recordar que Ítalo Galli pertenceu - ao lado de José Pedro Galvão de Sousa, Adib Casseb, Clóvis Lema Garcia, José Fraga Teixeira de Carvalho, Alfredo Leite, José Orsini e Claudio de Cicco, dentre outros, - àquele grupo a que o Professor e Desembargador Ricardo Dip, em belo depoimento sobre Arlindo Veiga dos Santos, qualificou de “grande movimento tradicionalista de Hora Presente” [13], que não se limitou à importantíssima revista de mesmo nome, de cujo Conselho Diretor fez parte e que se configura num dos mais admiráveis repositórios de cultura tradicionalista do Brasil, afirmando, nos campos religioso e político, a Doutrina Tradicionalista, e, nos planos teológico e filosófico, a Doutrina Tomista.

         Seja esta a breve síntese do muito que poderíamos dizer a respeito do notável e saudoso companheiro Ítalo Galli, a quem transmitimos a homenagem póstuma da Casa de Plínio Salgado, instituição de que foi ele um dos mais fiéis colaboradores, bem como da Frente Integralista Brasileira, do Centro de Estudos Gustavo Barroso e do Centro de Estudos Professor Arlindo Veiga dos Santos. Que Deus nos conceda, como concedeu ao companheiro Ítalo Galli, a honra de permanecer, até o fim de nossa caminhada terrena, fiéis aos valores da Fé e da Tradição, e que Ele suscite, na atual geração e nas gerações futuras, homens com qualidades morais e intelectuais semelhantes àquelas de Galli e que sejam depositários e continuadores dos augustos ideais a que este varão, ilustríssimo no saber e nas virtudes, dedicou toda a sua vida, podendo dizer, como ele, ao final da caminhada, que combateram o bom combate, consumaram sua carreira e guardaram a sua fé.

         Por Cristo e pela Nação Brasileira!
*Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 20 de fevereiro de 2012 - LXXIX.
Notas:
[1] Hora Presente, ano VI, nº 15, São Paulo, março de 1974, p. 158.
[2] ELÍAS DE TEJADA, Francisco. La Tradición portuguesa: Los Orígenes (1140-1521). Madri: Fundación Francisco Elías de Tejada y Erasmo Pèrcopo y Editorial ACTAS, s.l. , 1999, p. 17.
[3] Idem, p. 37.
[4] FRANCA, Leonel. Carta a Plínio Salgado. In SALGADO, Plínio. Vida de Jesus. 22ª ed. Prefácio de Marco Maciel. São Paulo: Voz do Oeste, 1985, pp. IX/XI.
[5] SALGADO, Plínio. Cristo e o Estado Integral. In Idem. . O Integralismo perante a Nação. 5ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. IX. São Paulo: Editora das Américas, 1959, pp. 201-203.
[6] AMEAL, João. Plínio Salgado ou a nova luta por Cristo. In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. Vol. II. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1986, p. 129.
[7] RAPOSO, Hipólito. A notável oração do Dr. Hipólito Raposo. In Uma reportagem histórica (pubicada originalmente no jornal A Voz, de Lisboa, a 23 de junho de 1946). In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. Vol. II, p. 189.
[8] ELÍAS DE TEJADA, Francisco. Plínio Salgado na Tradição do Brasil. Trad. de Gerardo Dantas Barreto. In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. Vol. II, cit., pp. 47-48.
[9] REALE, Miguel. Memórias. Vol. I. Destinos cruzados. São Paulo: Saraiva, 1987, p. 82.
[10] DIP, Ricardo. Alves Braga, exemplo de permanência. In NALINI, José Renato (Org.). Tributo a Antonio Carlos Alves Braga. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001, p. 96.
[11] GALLI, Ítalo. Verdades que precisam ser ditas. In Hora Presente, ano VIII, nº 23, outubro de 1977, p. 209; Idem. Discurso de Posse no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. In Idem. Os Direitos da Moral. São Paulo: Ed. do autor, 1992, pp. 45-46. Este livro reúne, além do discurso de posse no Tribunal de Justiça, o ensaio Os Direitos da Moral e o Prólogo à edição brasileira do célebre livro do Monsenhor Emílio Silva sobre a pena de morte.
[12] Idem. Os Direitos da Moral, cit., p. 22.
[13] DIP, Ricardo. Arlindo Veiga dos Santos: o poeta brasileiro de Pátria Nova. Trad. do texto original em castelhano por Fernando Rodrigues Batista. In http://reconquistabr.blogspot.com/2007/03/arlindo-veiga-dos-santos-o-poeta.html. Acesso em 20 de fevereiro de 2012.

Fonte: www.integralismo.org.br

Realizado com sucesso o IV Congresso Nacional da FIB em São Paulo.

Participantes do IV Congresso Nacional da FIB.

Nos dias 4 e 5 de fevereiro p.p. lideranças integralistas de alguns estados do Brasil estiveram reunidas na cidade de São Paulo para participar do IV Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira.

O IV Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira foi um evento de apreciação, formulação e definição das linhas gerais das estratégias e políticas da organização e para o Brasil, sendo integrado por palestras e fóruns de discussão propostos, os quais foram realizados com sucesso.

O evento teve como objetivo formular e estabelecer estratégias nacionais de curto, médio e longo prazo, bem como dotar a Frente Integralista Brasileira de uma agenda institucional e política que a possibilite alcançar os objetivos pretendidos.

A seguir, lê-se a declaração do IV Congresso Nacional na íntegra.

"Nós, representantes da Frente Integralista Brasileira, que teve em São Paulo, nos últimos dias 04 e 05 de Fevereiro, o seu IV Congresso Nacional, de que participaram integralistas de diversas partes do Brasil, assim como representantes de diferentes organizações amigas, agradecendo a Deus pela boa conclusão dos trabalhos do referido evento, apresentamos, aqui, de forma bastante sucinta, os seus resultados e as suas conclusões:

▪ Reforçamos nosso compromisso com a defesa de Deus, da Pátria e da Família, bem como das tradições cristãs da Nação Brasileira, das liberdades concretas do nosso Povo, da Justiça Social, da Propriedade condicionada aos deveres do proprietário para com o Bem Comum e, é claro, da dignidade e intangibilidade da Pessoa Humana e de sua vida, desde a concepção até a morte natural. Reforçamos, do mesmo modo, nosso compromisso com a luta em prol da edificação, no Brasil, de uma autêntica Democracia Orgânica e de um genuíno Estado Ético Integral de Justiça, assim como com o combate ao materialismo, ao individualismo, ao liberalismo, ao comunismo e às políticas governamentais em prol da legalização do aborto, da promoção da pornografia, do incentivo ao homossexualismo, do controle populacional e da reengenharia cultural, políticas essas que têm pretendido destruir totalmente os valores cristãos no Brasil e no Mundo, desfibrando, assim, as nações;

▪ Repudiamos o desrespeito à Constituição escrita pelo próprio Estado, e, mais ainda, o desrespeito deste pela Constituição Tradicional, Natural, Orgânica e Histórico-Social da Nação, anterior e superior àquela;

▪ Denunciamos o Governo Federal por uso do aparato estatal a serviço do autoproclamado Partido dos Trabalhadores na tentativa de promover verdadeira perseguição política e de intimidar brasileiros honestos e comprometidos com a Verdade, muitos deles neste momento cumprindo exílio em território estrangeiro;

▪ Apresentamos novos projetos de comunicação e segurança da informação que julgamos indispensáveis ao desenvolvimento de nossa organização, tendo em vista o cenário político apresentado;

▪ Contabilizamos significativo avanço na elaboração de nosso programa de governo, que, inicialmente, deverá ser distribuído às delegações participantes para desenvolvimento;

▪ Ampliaremos nossa atuação no campo das relações internacionais, desenvolvendo o contato com outras organizações tradicionalistas, patrióticas e nacionalistas e observando o panorama geopolítico em todos os continentes com prudente e merecida atenção;

▪ Fixamos metas de trabalho em todos os níveis, visando o estabelecimento e a regulamentação de núcleos da Frente Integralista Brasileira em todas as províncias do Brasil, bem como o aperfeiçoamento intelectual e cultural dos núcleos e incentivamos uma atitude política ativa nas localidades em que atuam;

▪ Reforçamos a necessidade de trabalho voltado às eleições municipais, provinciais e federais;

▪ Saudamos o trabalho das demais organizações que, pautadas sob propósitos semelhantes aos nossos, têm desenvolvido importante trabalho em defesa do Brasil Profundo, Autêntico e Verdadeiro e de suas mais lídimas tradições;

▪ Temos a satisfação de informar que, durante a realização deste evento, aderiram à nossa organização o Centro de Estudos Gustavo Barroso e seu fundador e presidente, o ilustre Companheiro Rômulo Augusto Romero Fontes, a quem apoiaremos em seus projetos editoriais, todos eles pautados na mais estrita fidelidade aos ideais essencialmente cristãos e brasileiros da Doutrina do Sigma;

▪  Por fim, prestamos merecidas homenagens àqueles que tombaram – anônimos ou não – defendendo a bandeira azul e branca e aos que trabalharam sem medir esforços em defesa dos ideais autênticos da Nação Brasileira.

Pelo bem do Brasil!
Anauê!"

Fonte: www.integralismo.org.br

Nasce mais um Núcleo Integralista no Ceará: Barbalha

Sr. Antônio Gondim Sampaio recebendo os Camisas-Verdes da FIB-CE.
O encontro de duas gerações e um só ideal. Anauê!
Na manhã do dia 18 de dezembro p.p., em missão oficial, os Srs. presidente estadual José Eduardo M. Viana e secretário-geral Guinardo G. Studart Filho, da Seção Cearense da Frente Integralista Brasileira, foram ao encontro dos veteranos Camisas-Verdes da Ação Integralista Brasileira (AIB) e do Partido de Representação Nacional (PRP) no aprazível município cearense de Barbalha, distante 610 Km da capital. Na ocasião, foram feitos vários registros fotográficos do encontro e entrevista filmada aos nobres Companheiros barbalhenses.
A primeira visita foi ao Sr. Antônio Gondim Sampaio (ex-AIB), o qual recebeu fraternalmente em sua casa os Soldados de Deus e da Pátria, fornecendo-lhes vasta informação sobre o Movimento ao qual seguem e sobre a presença de Plínio Salgado, em campanha presidencial pelo PRP, naquela cidade. Lá, também, encontraram-se com o Sr. Iônio Livônio Sampaio, de família tradicionalmente integralista, o qual contribuiu com suas memórias. Em seguida, foram à casa da Blusa-Verde Sra. Isolda Sampaio e de familiares do Sr. Iônio, onde tiveram a honra de estar na mesma sala onde foi recebido o saudoso Chefe Nacional Plínio Salgado, nos idos anos 50.
Após grande intercâmbio de informações entre o passado e o presente do Movimento Integralista, tiveram a grata notícia que naquele dia havia sido fundado, pelo então Sr. Antônio Gondim Sampaio com alguns simpatizantes da Doutrina do Sigma, o mais novo Núcleo Integralista do Brasil, o de Barbalha. Na ocasião, presentearam o Sr. Antônio com um certificado, conferindo-lhe a presidência de honra da FIB-CE pelos serviços prestados ao Integralismo.

Secretário Nacional de Expansão e Organização da Frente Integralista Brasileira no Rio de Janeiro.

Sr. Eduardo Ferraz

Em 08 de janeiro p.p., visitou, oficialmente, ao Estado do Rio de Janeiro o Companheiro Eduardo Ferraz, Secretário Nacional de Expansão e Organização da Frente Integralista Brasileira, o qual manteve contatos com Companheiros da Baixada Fluminense e da Capital, que culminaram numa Reunião com integrantes da Direção Estadual e da Direção do Município do Rio de Janeiro, que ainda contou com a presença de representantes do Grupo Integralista da Guanabara, do Instituto Arcy Lopes Estrella, da Ação Integralista Brasileira, da Ação da Juventude Integralista, da Legião 11 de Maio e do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Documentação Histórica; um Pesquisador do Integralismo também pode participar. Diversos pontos importantes foram tratados, mas, o principal foi a presença de uma Delegação do Estado do Rio de Janeiro no IV Congresso Nacional  da Frente Integralista Brasileira. Na ocasião também fomos informados que por motivo de força maior e alheio à própria vontade, o Companheiro Murilo Cesar só prosseguirá na Presidência do Núcleo Municipal do Rio de Janeiro (FIB-RIO) até o final de 2012. Também o Companheiro Sérgio de Vasconcellos, que interinamente está exercendo a Presidência Estadual (FIB-RJ), comunicou que em breve convocará eleições.

Fonte: Notícias do Sigma

Mensagem de Natal e Ano Novo*



Tendo, uma vez mais, a honra e o privilégio de vos dirigir a palavra no umbral de um Natal e Ano Novo, que, segundo esperamos, serão ainda mais felizes e abençoados do que aqueles que os precederam, salientamos que o ano que ora finda foi de considerável progresso para o Movimento do Sigma e para a Frente Integralista Brasileira. Com efeito, a Palavra Sigmática foi muito mais lida e ouvida em 2011, no Brasil e em todo o Orbe Terrestre, do que nos anos recentemente anteriores, e, assim, a Mensagem Integralista foi transmitida a muito mais pessoas e grupos d’aquém e d’além oceano, tendo sempre como referência fundamental a FIB, de sorte que demos largos passos no caminho do fortalecimento de nossa Instituição enquanto escola de civismo, de cultura e de política.  Nos consolidamos, ademais, como referência para diversos outros grupos e movimentos, muitos dos quais portadores de ideais fundamentalmente diversos dos nossos nos campos político e sócio-econômico, a exemplo de alguns dos diferentes movimentos de inspiração “neoconservadora” que vêm surgindo em nosso País e que, assim como nós, defendem as tradições religiosas e morais do Cristianismo, mas que, infelizmente, sustentam, no plano político, a preservação da liberal-democracia, e, no plano sócio-econômico, as infaustas teorias do denominado liberalismo clássico e da chamada “Escola Austríaca”, sem perceber que a liberal-democracia e o liberalismo sócio-econômico representam não apenas a antítese das tradições religiosas e morais cristãs, mas também as principais forças de dissolução destas.

O ano de 2012, que se iniciará, para nós, oficialmente, com o IV Congresso Nacional da FIB, a ser realizado na Cidade de São Paulo do Campo de Piratininga no próximo mês de fevereiro, será, seguramente, de grandes realizações para todos nós, que, sob as bênçãos de Deus, faremos que, para o Bem do Brasil e – por que não dizê-lo? - de todo o Mundo, chegue a mais pessoas e grupos nossa Mensagem de civismo, de patriotismo, de nacionalismo sadio e edificador e do mais lídimo idealismo orgânico. Manteremos, assim, viva a chama do Ideal de recristianização integral do Brasil e de religação deste às suas raízes autênticas, isto é, à sua Tradição, bem como o facho do Ideal de edificação de um Estado Integral, ou seja, de um Estado Ético de Justiça, ético não por sera própria encarnação da Ética, como querem, dentre outros, Hegel e Gentile [1], mas sim por ser inspirado na Ética, que lhe é anterior e superior, e movido por um ideal ético, como sustentam, dentre outros, Gino Arias, Giorgio Del Vecchio e Miguel Reale [2], e de Justiça não por ser o criador da Justiça, que igualmente lhe é precedente e superior, mas por se pautar nas regras da Justiça e se mover por um ideal de Justiça. É este o "Estado Orgânico Integral Cristão" de que nos fala Alcibíades Delamare [3] e o “Estado Corporativo Cristão” de que nos fala Gustavo Barroso [4], e que não é um princípio ou um fim, mas apenas um meio, um instrumento da Pessoa Humana e do Bem Comum [5], se constituindo, em última análise, no “Estado que vem de Cristo, inspira-se em Cristo, age por Cristo e vai para Cristo”, conforme as inspiradas palavras de Plínio Salgado [6].

Recordando, pois, estas e outras palavras de Plínio Salgado, insigne “Arauto e Apóstolo de Cristianismo e de Brasilidade” e “Bandeirante da Fé e do Império”, como o chamamos algures [7], ou, na expressão de Hipólito Raposo, “o mais eloquente intérprete da Brasilidade” [8], ou, ainda, no dizer de Francisco Elías de Tejada, o “profeta incandescente e sublime de seu povo”, a “encarnação viva do Brasil melhor”, o genial “profeta do Brasil”[9], País que, caso queira ser “autenticamente brasileiro” deve “volver seus olhares para esse apóstolo caboclo, baixinho e nervoso no corpo, porém grandíssimo na alma e na fé” [10]; recordando, enfim, estas e outras palavras deste Mestre - que  como faz salientar João Ameal, escreveu, falou, combateu e apostolizou “sob a luz perene da obediência a Cristo”, empregando argumentos colhidos “nas divinas palavras”, levantando imagens “sugeridas pelas divinas lições”, lançando apelos que “são o eco dos divinos apelos” e tendo como programa a reimplantação, “na consciência dos contemporâneos”, da “figura excelsa do Filho de Deus” e o incitamento no sentido de que O tomassem por modelo e soubessem “voltar ao integral cumprimento da Sua Lei” [11] - julgamos oportuno transcrever, revisto e ampliado, um parágrafo da Mensagem de Natal e Ano Novo que redigimos no ano de 2010 [12]:

É por Cristo que nos levantamos neste grande, nobre e belo Movimento em defesa do Brasil Profundo e de suas mais lídimas tradições, sob o lema “Deus, Pátria e Família”, nobre e elevado como nenhum outro. É por Cristo que nos irmanamos em torno da bandeira azul e branca do Sigma, Sigma que é, com efeito, o símbolo pelo qual os primeiros cristãos helenos identificavam SOTEROS, o Salvador, que não é senão, como bem sabeis, o Nosso Senhor Jesus Cristo. É por Cristo, ainda, que pugnamos pelo Solidarismo Cristão, pregando e praticando a Caridade, a Solidariedade, a Harmonia e a Cooperação entre as Pessoas das diferentes classes sociais, bem como a Justiça Social e o fim do iníquo sistema que instituiu o culto das riquezas materiais, separou a Economia da Ética e transformou o Trabalho e a Propriedade em simples mercadorias regidas pela lei da oferta e da procura e o Mundo em um vasto mercado governado pelo dinheiro e pelo nefando poder deste e onde os Homens valem por aquilo que têm e não por aquilo que são. É por Cristo, ademais, que queremos instaurar uma Sociedade Orgânica e um Estado movido pela Ética e pela Ética transcendido. É por Cristo, enfim, que nos fazemos soldados, bandeirantes da Tradição e da verdadeira e autêntica Revolução, isto é, da Revolução entendida no mais rigoroso e próprio sentido do termo, isto é, compreendida como uma transmutação integral de valores no sentido de recondução do Homem e da Sociedade ao seu princípio, como reedificação do Homem e da Sociedade autênticos.

Como frisamos naquela ocasião, a fim de desfazer possíveis equívocos, a Revolução pela qual pugnamos não é senão aquela mesma Revolução proposta pelo Servo de Deus Fulton Sheen, isto é, “a verdadeira revolução”, “revolução de dentro para fora”, “revolução que mude os corações”, “revolução semelhante à que descreve o Magnificat, que foi mil vezes mais revolucionário do que o manifesto de Karl Marx, em 1848” [13], manifesto este que, aliás, consoante igualmente salientamos na referida Mensagem, se configura num plágio do Manifesto da democracia no século XIX, de Victor Considérant, e nada tem de revolucionário no sentido tradicional do vocábulo, uma vez que não rompe com as ideias dominantes em seu tempo, tais como o materialismo, o economicismo e o mito do progresso ilimitado do Homem e da Sociedade.

Consoante igualmente sublinhamos naquele documento, a Revolução que propugnamos não é senão a Revolução de que Plínio Salgado foi – e é – portador, segundo João Ameal, que, em apresentação à obra O Rei dos reis, do autor da Vida de Jesus, evocando a conferência intitulada A aliança do sim e do não e proferida por este no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, no mês de março do ano de 1944, assim se exprime:

“’As verdadeiras revoluções’ – escreveu um dia Péguy – ‘consistem essencialmente em mergulharmos nas inesgotáveis fontes da vida interior. Não são os homens superficiais que podem pôr em marcha tais revoluções – mas os homens capazes de ver e de falar em profundidade’. Porque Plínio Salgado é desses homens capazes de ver e de falar em profundidade, porque não se queda nas aparências transitórias e vai direto ao essencial (só o essencial, aliás, o interessa) – respirava-se, à saída da sua conferência, por entre a banal algazarra da noite citadina, uma atmosfera que se poderia chamar, de fato, revolucionária, no sentido mais exato do termo revolução, que significava volta ao ponto de partida. Exortara-nos o orador a voltar ao ponto de partida, ao Senhor e Criador que está na origem de tudo e a quem devemos regressar com humilde e incondicional adesão se queremos merecer que nos ensine o Caminho, a Verdade e a Vida.

“Revolução prodigiosa. Revolução decisiva – a única decisiva! Como poderemos deixar de ser gratos ao grande camarada de armas que veio dar-lhe tão considerável impulso?” [14].

É em tal sentido, ademais, que, a 24 de novembro de 1900, o então jovem deputado carlista por Tolosa, Víctor Pradera, emprega o termo Revolução, em discurso em defesa da causa legitimista e tradicionalista do Carlismo:

‘”A revolução, Sres. Deputados, é necessária, é de todo ponto de vista imprenscindível; mas para que esta revolução não seja um crime de lesa-pátria, é preciso que leve em conta as energias vitais do país. A revolução tem que ser um revulsivo rápido e enérgico; mas de maneira alguma pode ser uma sangria solta” [15].

Neste sentido, a que denominamos tradicional, a Revolução não se opõe à Tradição, antes pelo contrário, sendo defendida, antes e acima de tudo, aliás, como forma de restauração da Ordem Tradicional, com a supressão da atual (des)ordem, que, como todos sabem, nada tem de tradicional, havendo nascido e se desenvolvido sob o signo das nefastas ideias apriorísticas, utópicas, individualistas e antitradicionais do iluminismo e do liberalismo e que não deve, pois, ser conservada, mas, antes, combatida pelos verdadeiros tradicionalistas.

Isto posto, cumpre assinalar, tendo em vista os pseudo-tradicionalistas de plantão, demonizadores de todos aqueles que empregam o termo Revolução em sentido positivo, que mesmo os grandes pensadores tradicionalistas que, diversamente de Plínio Salgado, João Ameal, Víctor Pradera ou Rolão Preto, por exemplo, preferiram empregar o termo Revolução em sentido negativo, a exemplo de António Sardinha, Francisco Elías de Tejada e José Pedro Galvão de Sousa, jamais deixaram de admitir o uso daquela palavra em sentido positivo, do mesmo modo que jamais satanizaram alguém apenas por empregá-la neste sentido.


Com efeito, em artigo publicado na revista bilíngue hispano-luso-brasileira de cultura e política tradicionalista Reconquista, José Pedro Galvão de Sousa, logo após haver demonstrado que o tradicionalismo não se confunde com o “passadismo ou conservadorismo”, posto que “no presente pode haver muito elemento contrário à tradição, ou mesmo tradições espúrias, que se formaram em detrimento das autênticas e sãs” e haver salientado que a “tradição não se opõe ao progresso”, sendo, antes, pressuposto do progresso [16], observa que “Quanto à revolução, sabemos que é uma alteração violenta da ordem política. Considerada sob esse prisma conceitual, não implica necessariamente numa concepção filosófica oposta ao tradicionalismo.

Pode dar-se por exemplo, o caso de uma revolução cujo escopo seja restaurar instituições tradicionais. Surge aqui o problema do direito de revolução, que muitos tradicionalistas admitem. Logo, o revolucionário nem sempre se opõe ao tradicional, desde que se considere a revolução um simples meio de obter transformações políticas  cuja legitimidade depende em primeiro lugar do fim que se tem em vista” [17].

Francisco Elías de Tejada, por seu turno, em nota que consta duma das páginas de sua obra intitulada La Monarquía Tradicional, esclarece que suas “críticas à revolução destruidora nada têm que ver com a ideia da revolução enquanto restauração, que aparece no pensamento de José Antonio Primo de Rivera a efeitos de política pragmática” [18].

Já António Sardinha, “o mais ardoroso condutor do Integralismo Lusitano”, na expressão de João Ameal [19], inclusive empregou, por diversas vezes, o termo Revolução em sua acepção positiva, como quando afirmou, em sua Teoria das Cortes Gerais, que, “Como homens de tradição, somos assim renovadores e, como tal, revolucionários” [20].

É este, pois, o sentido da nossa Revolução, pela qual temos lutado e continuaremos lutando, pela restauração da realeza de Cristo e pela instauração de tudo em Cristo, fazendo nosso o brado de Plínio Salgado, “Primeiro, Cristo!”, e pugnando, ademais, para que o Povo deste vasto Império da Terra de Santa Cruz retome a consciência de seu real valor e da augusta missão que está destinado a realizar no Mundo.

Por Cristo e pela Nação!

*Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira - FIB.
São Paulo do Campo de Piratininga,
24 de dezembro de 2011, LXXIX.


Notas:
[1] Hegel, G. W. F. Princípios da Filosofia do Direito. Trad. de Norberto de Paula Lima. Adaptação e notas de Márcio Pugliesi. São Paulo: Ícone, 1997, §§ 257-258, pp. 204-205; GENTILE, Giovanni. Idee fondamentali. In Enciclopedia Italiana do Scienze, Lettere ed Arti. Vol. XIV. Milão: Treves-Treccani-Tumminelli, 1932-X, pp. 847-848. Este texto, não assinado e muitas vezes atribuído a Benito Mussolini, foi escrito a pedido deste por Giovanni Gentile (V. TURI, Gabriele. Giovanni Gentile: Una biografia. Florença: Giunti Editore, 1995, p. 426; GREGOR, A. James. Phoenix: Fascism in our time. 1ª ed., 4ª reimpr. New Brunswick: Transaction Books, 2009p. 940.).
[2] ARIAS, Gino. Corso di Economia Politica Corporativa. 2ª ed. aumentada e atual. Roma: Società Editrice Del “Foro Italiano”, 1937-XV, p. XVIII; Idem. Manual de Economía Política. Buenos Aires: L. Lajouane & Cia. – Editores, 1942, p. 410; DEL VECCHIO, Giorgio. Indivíduo, Estado e Corporação (conferência proferida em alemão na Universidade de Zurique em 30 de abril de 1934). Trad. de Marcello Caetano, publicada na Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com leves alterações, acréscimos e supressões, introduzidas pelo próprio autor. In Idem. Teoria do Estado. Trad. portuguesa de António Pinto de Carvalho. Prefácio de Miguel Reale. São Paulo: Edição Saraiva, 1957, p. 210; REALE, Miguel. O Estado Moderno: liberalismo, fascismo, integralismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1934, p. 197.
[3] DELAMARE, Alcibíades. Aos moços universitários (resumo, publicado originalmente no jornal A Ofensiva, do discurso proferido a 6 de maio de 1937, no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, na ocasião em que o autor ofertou o Pavilhão da Pátria aos universitários integralistas). In Enciclopédia do Integralismo, vol. II. Rio de Janeiro: GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 72.
[4] BARROSO, Gustavo. Comunismo, Cristianismo, Corporativismo. Rio de Janeiro: Editora ABC Limitada, 1938, p. 97.
[5] Nesse sentido v, p. ex.: DELAMARE, Alcibíades. Aos moços universitários, cit., loc. cit; SALGADO, Plínio. Estado Totalitário e Estado Integral (artigo publicado originalmente no jornal A Ofensiva, do Rio de Janeiro, a 01 de novembro de 1936). In Idem. Madrugada do Espírito. 4ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. VII. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 443; TELLES JUNIOR, Goffredo. Justiça e Júri no Estado Moderno.São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1938, p. 31.
[6] SALGADO, Plínio. Cristo e o Estado Integral (peroração de discurso proferido a 12 de junho de 1937, na Sessão Soleníssima das Cortes do Sigma). In Idem. O Integralismo perante a Nação. 2ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. IX. São Paulo: Editora das Américas, 1959, pp. 201-203.
[7] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. Plínio Salgado, Arauto e Apóstolo de Cristianismo de Brasilidade. In O Lince, nova fase, ano 4, nº 31, Aparecida-SP, jan/fev. de 2010, pp. 16-18. Também disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=14&vis=. Acesso em 23 de dezembro de 2011;Idem. Plínio Salgado, Bandeirante da Fé e do Império. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=71&vis=. Acesso em 23 de dezembro de 2011.
[8] RAPOSO, Hipólito. A notável oração do Dr. Hipólito Raposo. In Uma reportagem histórica (pubicada originalmente no jornal A Voz, de Lisboa, a 23 de junho de 1946). In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. Vol. II. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1986, p. 189.
[9] ELÍAS DE TEJADA, Francisco. Plínio Salgado na Tradição do Brasil. In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. vol. II, cit., pp. 47-48.
[10] Idem, p. 70.
[11] AMEAL, João. Plínio Salgado ou a nova luta por Cristo (artigo a propósito dos livros Como nasceram as cidades do Brasil e A imagem daquela noite, de Plínio Salgado, publicado originalmente na Revista de Cultura Portuguesa Rumo, ano I, nº 6, 1946). In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. vol. II, cit., p.129.
[12] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. Mensagem de Natal e Ano Novo. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=63&vis=. Acesso em 23 de dezembro de 2011.
[13] SHEEN, Fulton J. Filosofias em luta. Trad. De Cypriano Amoroso Costa. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1946, p. 18.
[14] AMEAL, João. Apresentação. In SALGADO, Plínio. O Rei dos Reis. 5ª ed. (em verdade 6ª). In Idem. Primeiro Cristo!. 4ª ed. (em verdade 5ª). São Paulo/Brasília: Editora Voz do Oeste/Instituto Nacional do Livro, 1979, p. 94. Grifos em itálico no original.
[15] PRADERA, Víctor. Nuestro Rey y Señor Don Carlos. In Idem. Obra Completa. Tomo I. Prólogo de S. E. El Jefe del Estado (Francisco Franco). Madrid: Instituto de Estudios Políticos, 1945, p. 24.
[16] SOUSA, J. P. Galvão de. Política Tradicionalista e Política Revolucionária. In Reconquinta, Ano I, Vol. I, número 3, São Paulo, 1950, pp. 175-176.
[17] Idem, p. 176.
[18] ELÍAS DE TEJADA, Francisco. La Monarquía Tradicional. Madrid: Ediciones Rialp, S.A., 1954, p. 116.
[19] AMEAL, João. Panorama do nacionalismo português. Lisboa: Edição de José Fernandes Júnior, 1932, p. 18.
[20] SARDINHA, António. A Teoria das Cortes Gerais. 2ª ed. Lisboa: qp, 1975, p.283. Grifos em itálico no original.

Fonte: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=139

Movimento Integralista em romance






Anauê - capa do livro
 
O escritor capixaba José Marcelo Grillo lança o romance histórico "Anauê". O livro conta a história do integralismo no distrito de Burarama, em Cachoeiro de Itapemirim - região sul do Espírito Santo. Depois de cinco anos de pesquisas, a obra vem ao encontro dos muitos que lá viveram e tiveram suas infâncias marcadas pelo movimento. A autenticidade do livro o confere status   de referência para pesquisa.

A história é centrada em três personagens, Giordano Berllone, Vitto Gardini e Giovanna Manzanni. A diferença político-ideológica entre os protagonistas masculinos aquece a leitura e traça a linha da história. No meio da confusão, Giovanna surge para arrebatar o coração de Giordano, um homem casado que ainda está apegado às tradições. Os "casos" do povo de Burarama também recheiam o livro com lembranças há muito esquecidas.

O movimento Integralista foi impedido de inaugurar sua sede no distrito. Getúlio Vargas ordenou a invasão de Burarama, então Floresta, com soldados armados, inclusive de metralhadoras, e impediu a abertura da sede. Histórias de cinema também ilustram o livro. Como a do delegado Silveira, terror dos integralistas, que antes de morrer em uma emboscada, conseguiu escrever o nome de seus assassinos em um maço de cigarros.



Pedra da Ema - Burarama
Local onde se passa o romance
A obra traz compromisso com a verdade, apesar de trechos de ficção. José Marcelo, em sua pesquisa, procurou estabelecer o que era lenda e o que realmente aconteceu, "Quis separar o joio do trigo, a história não pertence a quem a fez, pertence a todos". O escritor entrevistou ex-integralistas e realizou pesquisas em jornais da época, "Conversando com gente da época, consegui captar o clima que existia", explica Grillo.

O distrito de Floresta foi colonizado por italianos. Até a década de 60, a região exercia grande influência na sede (Cachoeiro). Na região houve a tentativa de se fundar a Séde da Acção Integralista do Núcleo de Floresta.   A casa seria a única sede distrital do movimento no Brasil.(...)

Fonte: http://www.seculodiario.com/arquivo/2001/mes_12/14/caderno2/13_12_02.htm